terça-feira, 18 de março de 2008

Cobranças indevidas e filas estão entre as principais queixas relacionadas a bancos

 

Fonte: Agência Brasil

Brasília - Cobranças indevidas no cartão de crédito, dificuldade de contatar a operadora do cartão para renegociar uma dívida, filas nos bancos, caixas que não funcionam. Essas são algumas das reclamações mais ouvidas dos consumidores que utilizam os serviços de instituições do sistema financeiro.

Márcio Sá tinha dois cartões de crédito e conta que perdeu o controle com os gastos, fazendo com que as faturas chegassem a um valor que não conseguiria pagar. Para não ficar inadimplente, tentou entrar em contato com a operadora dos cartões para renegociar a dívida, de cerca de R$ 2,5 mil.

"Eu ligava no 0800, me informavam que eu não poderia efetuar a ligação nessa região que eu estou, em Brasília, tinha que ser no 4004 alguma coisa, eu discava, quando digitava o número do cartão, que era para falar com uma das atendentes, falava, 'favor ligar no 0800', que eu tinha ligado anteriormente", conta.

Ele diz que ficou durante cerca de um mês "sendo empurrado de um número para o outro" até que foi ao Procon e conseguiu contato com a empresa.

Márcio Sá não é o único que tem problemas com cartão de crédito. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor, em 2007 foram registrados 52,5 mil contatos de consumidores sobre esse assunto. O sistema financeiro está entre os primeiros setores da economia com mais reclamações nos órgãos de defesa do consumidor.

O advogado Pedro Ramos reclama dos problemas no atendimento dos bancos. "A começar pelos caixas eletrônicos, que nunca funcionam", diz. E completa: "você passa 30, 40 minutos numa fila, tem cinco caixas, apenas um ou dois estão funcionando".

O aposentado Estebano Luiz de Oliveira, do município de Barbacena (MG), também tem queixas sobre o atendimento bancário. "Numa agência bancária, outro dia eu fiz uma pesquisa, existem cerca de 55 mil clientes, eles colocam quatro pontos de atendimento de caixa, nunca os quatro estão funcionando, e mais ou menos uns dez terminais de auto-atendimento, só isso que tem para 55 mil clientes", afirma.

O diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça, Ricardo Morishita, destaca como um ponto positivo para o usuário de banco uma portaria da pasta possibilitando que reclamações de consumidores possam desencadear ações de fiscalização do Banco Central (Bacen). "É dar ao cidadão um poder de reclamar contra um banco e que esse banco vai ser fiscalizado pelo Bacen."

Por outro lado, o gerente jurídico do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Marcos Diegues, afirma que as portarias publicadas em dezembro com normas para as tarifas bancárias não trarão necessariamente grandes melhorias para o consumidor.

"O que mais merece destaque é a questão da uniformização da nomenclatura das tarifas, a nossa expectativa é que traga para o consumidor uma facilidade maior para que ele possa identificar entre as diversas ofertas que tem de serviços de instituições bancárias aquela que melhor se enquadra na sua necessidade e que ele pode pagar mais ou menos", afirma.

Para Diegues, as tarifas chamadas gratuitas podem não trazer melhorias. "O problema é que você não consegue contratar do banco só esses serviços que são gratuitos, ele sempre vende um pacote em que há serviços que são remunerados", explica.

 

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